Psicanalista Mestre e Doutoranda em Psicanálise

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O Lúdico na Educação Infantil

O Lúdico na Educação Infantil



Quando uma criança tem a oportunidade de vivenciar de forma positiva seu percurso na Educação Infantil terá também a oportunidade de experimentar vivências muito relevantes para seu processo de amadurecimento cognitivo. É nesse período que a criança fortalece seus laços sociais, que aprende que existem regras de convivência, que entende o compartilhar e o trocar, não apenas de brinquedos mas também de vivências. Criança vê, criança faz. É nesse observar o outro que ela segue construindo sua aprendizagem, pois aprendizagem é construção de saberes, laboratório de experiências. A aprendizagem está na vida, é diária, se presentifica a cada momento, pois como diz o educador e filósofo Cortella: “Gente não nasce pronta e vai se gastando, gente nasce não pronta e vai se fazendo.” E como se constitui esse “laboratório de experiências infantis”? No que se refere à Educação Infantil podemos dizer que seja a ludicidade das atividades propostas pela instituição escolar e pelos educadores, que devam entender a demanda desse grupo e dessa criança ao qual esteja acompanhando, respeitando principalmente sua subjetividade. Essa subjetividade ao qual me refiro trata-se de observar que sujeito é esse da Educação Infantil, o que ele demanda, ao qual grupo social ele pertence, o que ele deseja aprender, em que cultura ele está inserido. A ludicidade é a partir dele e para ele. Não adianta querer falar de praias ou surf na região amazônica para um grupo de ribeirinhos. Não que eles não possam ou não devam conhecer outras realidades, mas que o educador e a instituição estimulem essa criança com assuntos e conteúdos que o perpassem, que ele conheça, que ele possa falar algo sobre. Precisa ser interessante, dinâmico, inteligente e desafiador. Precisamos compreender que as crianças da contemporaneidade estão no laço social de forma muito mais atuante, são muito mais perceptivas. Esse brincar é pedagógico, precisa ter um propósito, uma proposta. O educador precisa estar claro que objetivos deseja alcançar com essa intervenção lúdica. Não importa se essas crianças estejam brincando livremente no parquinho ou sob a orientação de uma professor de artes ou música, com objetivos específicos.

[...]para que o processo de aprendizagem seja positivo, antes de mais nada, é necessário desejar aprender, pois sem desejo não há aprendizagem. A criança deve estar envolvida na curiosidade da busca para se sentir motivada e impulsionada. (BONFANTE, 2015 p.07)

O que vale nessa ludicidade é que a criança possa se motivar, se constituir desejante da descoberta, da investigação, investigação essa fundamental apara o processo de aprendizagem.


Andréa Pinheiro Bonfante
*Psicanalista / Psicopedagoga- ABPp:1271-RJ
*Mestranda em Psicanálise Saúde e Sociedade
*Diretora de Mobilização Distrital do Sindicato
dos Psicopedagogos do Brasil- CRPp:816

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Autismo à Luz da Psicanálise


Trabalhar com pacientes portadores do Espectro do Autismo tem sido um grande desafio e aprendizado. Meus pacientes autistas me ensinam diariamente que formas diferentes de se comunicar são possíveis e que o tempo não é fator determinante, que ele é  sim subjetivo e que atende as demandas da criança e não do profissional que o atende. Que a forma como o trabalho irá ser conduzido é diariamente sinalizado por ela, a criança, e que cabe ao profissional ficar atento as suas idiossincrasias e singularidades dentro de uma enorme pluralidade de possibilidades. 


A tão renomada médica psiquiatra Nise da Silveira nos deixou um grande legado, o de estar atento ao "suposto silêncio" de nossos pacientes. Sua forma de agir, mesmo sem proferir sequer uma palavra, nos dá pistas sobre como secretariá-lo, pois é disso que se trata, secretariar, ir ao lado, nem à frente, tampouco atrás. É buscar e proporcionar aquilo que lhes falta, o olhar. Pois é essa a grande questão dos portadores de autismo, a linguagem. O olhar, o corpo, o gesto, a voz, são formas de se comunicar com essa criança que justamente não sabe como fazer para dar voz as suas demandas e nem como barrar tudo aquilo que muitas das vezes lhes é extremamente "intrusivo", como os sons, sensações e emoções. 

Tudo o que vem de fora "invade" esse corpo que ainda não fez borda, isto é, que não entende nem percebe seus limites e o do outro(s) com o(s) qual/ quais convive. São várias as formas de interação; lhes apresentar sua imagem no espelho, pular e dançar, fazer cócegas, estimular a sensibilidade oferecendo materiais sensoriais para estimular o tato, a audição, a visão, o olfato, o paladar; ouvindo músicas, assistindo a um vídeo, fazendo um piquenique, levando-os ao parquinho, encher balões, lidar com guache e massinha, lhes apresentar um animalzinho de estimação como um cachorrinho, convocar a família ao "setting", brincar de esconde- esconde, abrir e fechar portas, enfim... se fazer de instrumento dessa criança e criar laços afetivos com ela. Não há fórmulas pré estabelecidas, nem tampouco prazos para cumprir. 

O que há na
verdade, é um grande investimento do profissional, uma participação da família, um trabalho multidisciplinar com a instituição escolar e outros profissionais, e a tranquilidade de perceber que para uma melhor qualidade de vida, a criança autista deve estar sempre sendo estimulada e incluída em rodas sociais, sejam elas na escola, no esporte, ou quaisquer outras. Sem preconceito, com muito esclarecimento e acima de tudo o amor, a criança autista pode sim ter uma boa qualidade de vida e se constituir um adulto autônomo e sociável.
Andréa Pinheiro Bonfante (Psicanalista e Psicopedagoga)

quarta-feira, 8 de março de 2017

Volta às aulas e os conflitos escolares



          VOLTA ÀS AULAS E OS CONFLITOS ESCOLARES


O ano letivo nem bem começou e os conflitos escolares já dão sinais de que algo precisa ser observado e cuidado. Falta de organização com o material escolar, pouco compromisso com as tarefas de casa, horário de estudo mal administrado, resistência à nova escola, dificuldade em fazer novos amigos num novo ambiente escolar, não comprometimento com as responsabilidades de estudo e outros são algumas das questões que mais acometem os alunos deixando-os angustiados e ansiosos e os responsáveis bastante desnorteados sem saber como lidar com essa situação.
É de extrema relevância ficar atento à essas questões e ouvir o que essa criança ou jovem tem a dizer. Esses comportamentos surgem como sintomas e um processo de análise e/ ou um acompanhamento psicopedagógico podem ajudar a lidar com tudo isso de forma saudável sem que consequências mais sérias venham a surgir à médio e longo prazo, tais como transtornos de aprendizagem, inibição intelectual, depressão infantil, baixa autoestima, desmotivação dentre outros.
Se um comportamento desta natureza for identificado, não procrastine, converse com esse jovem, ouça o que ele tem a dizer, observe a criança, sem entretanto ser permissivo. Convoque-o às suas responsabilidades sempre. Ceder aos desejos infanto-juvenis não é de forma alguma sinônimo de amor. Não delegue aos tão jovens decisões as quais não estão preparados a tomar. 
O trabalho de um Psicopedagogo e uma Análise infanto-juvenil certamente irão contribuir muito positivamente e possivelmente livrar seu filho de situações indesejadas ao final de um bimestre ou ano letivo. 

Andréa Pinheiro Bonfante
*Psicanalista / Psicopedagoga- ABPp:1271-RJ
*Mestranda em Psicanálise Saúde e Sociedade
*Diretora de Mobilização Distrital do Sindicato
dos Psicopedagogos do Brasil- CRPp:816


Agendamentos: (24)99316-8982 whatsapp
                          (24)2452-4478 Espaço Multidisciplinar Vida Plena- Rua André Rugeri, 115-Bairro de Fátima-Valença-RJ