Psicanalista Mestre e Doutoranda em Psicanálise

terça-feira, 19 de maio de 2020

PSICÓLOGO, PSICANALISTA OU PSICOPEDAGOGO???



PSICÓLOGO, PSICANALISTA OU PSICOPEDAGOGO?


DIVERTIDA.......MENTE

Essa é uma pergunta que permeia a mente da grande maioria das pessoas. Porém, nomes tão parecidos tem funções bem distintas. É bem verdade que todos eles tratam de questões emocionais, mas sobre uma ótica diferente e específica a cada área de atuação.
Resultado de imagen para psicologia (con imágenes) | Imagenes de ...A Psicologia, trata de estudar o comportamento humano e seus processos mentais. Melhor dizendo, a Psicologia estuda o que motiva o comportamento humano – o que o sustenta, o que o finaliza e seus processos mentais, que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendizagem, inteligência… A história da Psicologia se confunde com a Filosofia e a Fisiologia até meados do século XIX. Sócrates, Platão e Aristóteles deram o pontapé inicial na instigante investigação da alma humana. O fato é que no final do século XIX, os acadêmicos da época resolvem distanciar a Psicologia da Filosofia e da Fisiologia, dando origem ao que se chamou de Psicologia Moderna. Os comportamentos observáveis passam a fazer parte da investigação científica em laboratórios com o objetivo de se controlar o comportamento humano. Nesse sentido, os teóricos objetivam suas ações na tentativa construir um corpo teórico consistente, buscando o reconhecimento, enfim, da Psicologia como ciência.
MT - CURA,CRIAÇÃO E PSICANÁLISE: SOBRE ENCONTRAR AQUELA PALAVRA ...A psicanálise foi desenvolvida por Freud a partir da clínica médica justamente por estar insatisfeito com o que a medicina lhe dizia a respeito do comportamento histérico dos pacientes. Ela então veio tentar dar conta das frustrações e angústias que o homem contemporâneo não consegue lidar. Tentar definir o lugar da psicanálise no mundo de hoje não é de forma alguma uma tarefa fácil, haja vista que lidar com o que o homem traz no seu inconsciente, é lidar com a subjetividade de um indivíduo que a psicanálise aposta irá se tornar um sujeito. 
Neurociências em benefício da Educação!: O mundo secreto do ...Sendo assim, cabe aqui ressaltar que o psicanalista não traz ao analisando, ao paciente que o procura, uma receita de bolo que diga quais os ingredientes ideais para se fazer o bolo da vida perfeito, não, muito pelo contrário. Ela vai na verdade substituir esses ingredientes por outros, vai testar uma nova receita, vai reinventar, recriar, resignificar a partir do paladar desse que é o autor da receita, isto é, o dono de sua própria história, sua própria vida. O psicanalista vai tentar fazer seu paciente entender como ele se sente em frente às questões da própria vida e como ele lida e vai lidar com essas questões. Não é o “certo” nem tampouco o “errado” que conta aqui, mas sim como essa pessoa se sente e se compreende a partir de seus conflitos. E qual é a condição básica para ser um psicanalista? Formação continuada, estar em análise, ser membro de uma sociedade psicanalítica e estar em supervisão de casos clínicos. Freud se opôs veementemente que a psicanálise fosse exclusivamente uma ciência permitida aos médicos, e como referência temos sua própria filha Anna Freud, uma pedagoga que foi uma das precursoras da psicanálise infantil, além de Melanie Klein,  que contribuiu largamente para o avanço da psicanálise com crianças.
ABPP - Associação Brasileira de PsicopedagogiaA psicopedagogia destina-se a compreender as questões de aprendizagem as quais o homem se defronta desde seu nascimento. Ela nasceu a partir da necessidade de se diagnosticar quais as razões que possam comprometer esse processo que é , ou pelo menos deveria ser contínuo e constante, e não apenas isso, a psicopedagogia vai encontrar formas de tornar essa aprendizagem prazerosa,vai tentar despertar nesse paciente o desejo de aprender, pois sem desejo não há aprendizagem. 
Conheça a Especialização em Psicopedagogia Institucional ...Muitas são as razões que possam vir a comprometer esse processo de aprendizagem, tais como condições sociais, conturbações familiares, patologias clínicas, falta de estrutura das instituições, despreparado e/ ou desmotivação dos educadores, e muitos outras causas, que na grande maioria das vezes são ocultas, são veladas. Esse boicote frente à aprendizagem pode ser da ordem do consciente ou inconsciente. A constatação da necessidade de se procurar um profissional da psicopedagogia, a demanda, nos dá pista de um grito de socorro desse que está encontrando dificuldades em aprender; o aluno. Não devemos atribuir “culpas” nem tampouco rotular situações, alunos ou profissionais. O que há de ser feito é realizar uma investigação cuidadosa, e detectadas as questões comprometer todos aqueles que participam do processo (família, instituição, educadores e o aprendente). Nunca se recorreu tanto à psicopedagogia como nos tempos atuais. E quais seriam as razões? Dentre elas um novo modelo familiar que se apresenta, não tão participativo na criação de seus filhos; o excesso de informações que pode vir a dispersar, tirar o foco dos estudos; o “preto e branco” em que as instituições educacionais se encontram frente ao “colorido da vida”, etc. Frente à todas essas questões, a psicopedagogia vem recorrendo à psicanálise para entender melhor a mente humana e suas nuances, para tentar dar conta daquilo que aflige o homem e possa então comprometer sua aprendizagem. Podemos então concluir que mesmo sendo a psicologia, a psicanálise e a psicopedagogia ciências distintas entre si, atuam de forma interdisciplinar por justamente tratarem de algo tão especial e comum à todas que é a mente humana e o comportamento social desse indivíduo.
Escrito por: 
Prof.Andréa Pinheiro Bonfante _Psicanalista e Psicopedagoga. 

O ALCOOLISMO NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS E JOVENS








A influência negativa do álcool no processo de aprendizagem de crianças e jovens se dará por duas principais vias; o consumo do álcool propriamente dito e a coodependência alcoólica.
CIA - Publicações: AS CONSEQUÊNCIAS DA NEGLIGÊNCIA FAMILIAR NO ...
Sendo a memória  função fundamental  no processo de aprendizagem, o consumo do álcool irá promover uma  drástica queda no processo de aprendizagem que  irá resultar em repetição escolar, causando desestímulo e consequentemente em evasão. Todo esse processo gera uma baixa autoestima que irá motivar ainda mais um aumento do consumo do álcool gerando um ciclo vicioso que servirá como porta de entrada para outras drogas causando danos ainda maiores.
            Os principais aspectos motivadores são a família, a vida social, normas culturais, religiosas ou políticas públicas e também a ignorância e a curiosidade.
            Por incrível que pareça, a família é o grupo social que provavelmente mais motiva essa criança ou jovem a iniciar o uso do álcool, seja pela falta de vigilância e/ ou até mesmo pelo estímulo de pais e parentes mais próximos, que equivocadamente não apenas permitem, como também o apresentam a eles.
A vida social, amigos, baladas, necessidade de autoafirmação e aceitação do grupo viriam em segundo lugar. Nesse aspecto, os jovens são mais influenciáveis. Estudos comprovam que jovens entre 12 e 17 anos representam 50% da população alcoólica, segundo pesquisas.


Em seguida temos  as normas culturais, religiosas ou políticas públicas tais como a oferta indiscriminada do álcool através da mídia. Inegavelmente o consumo de álcool é muito maior em países onde os comerciais são liberados.
E finalmente muitas de nossas crianças, mas principalmente os jovens, entram nesse caminho que nem sempre há retorno, por conta da curiosidade, tão comum nessa faixa de idade. A ignorância,  a falta de informação e esclarecimento, também deixam nossos jovens à mercê dessa armadilha.
Diante dos fatos, fica a pergunta; o que fazer? Além de conversas francas e esclarecedoras sobre o tema, é também importante que a família coloque regras claras e limites, não em um tom ameaçador, mas de forma a fazê-los entender os prejuízos dessa decisão nada salubre e inteligente.
            Chegamos agora na questão da coo dependência, que como vários testemunhos no livro “Para Além da Codependência”, de Melody Beattie, podemos defini-la como furtiva e enganosa. Dentre vários relatos, esses são alguns dos que mais me chamaram a atenção: “[…]um conjunto de comportamentos compulsivos e inadaptáveis adquiridos por membros de uma família que passa por estresse e grandes dores emocionais como forma de sobrevivência[…]”; “O fogo não termina quando o corpo de bombeiros o apaga e vai embora. Reparar estragos de um incêndio pode envolver um processo de recuperação enorme, e às vezes, frustrante.” 
            Segundo Robert Subby (renomado psicólogo com mais de 20 anos de experiência em saúde mental e vícios, especialista em codependência e recuperação de adultos-crianças), descreve a codependência como “ uma condição emocional, psicológica e comportamental que se desenvolve como resultado  da exposição prolongada do indivíduo e da prática de um conjunto de regras opressivas.”
            A interferência negativa no processo de aprendizagem se dá através da vivência dessa criança ou jovem num ambiente familiar comprometido e equivocado, onde lhe é roubada sua subjetividade. Modelos familiares desse gênero podem  fazer com que esse  indivíduo entre de forma consciente ou inconsciente num ciclo vicioso, comprometendo não apenas o tornar-se sujeito em sua própria existência, assim como toda uma geração.
            É importante nos conscientizarmos do quanto somos responsáveis em influenciar tanto positivamente como negativamente nossas crianças e jovens. Por isso, fiquemos atentos aos nossos gestos e atitudes e lembremos que eles estão sempre nos observando, como podemos ver nesse vídeo.



CRIANÇA VÊ, CRIANÇA FAZ!


Andréa Pinheiro- Psicanalista e Psicopedagoga. Mestre em Psicanálise, Saúde e Sociedade pela UVA, Graduada em Letras pela UNIG, Pós-graduada em Psicopedagogia pela Estácio de Sá, Pós-graduada em Teoria Psicanalítica pela UVA. Diretora e sócia do Espaço Vida Plena -  Valença- RJ, Professora de Psicanálise do Instituto IBRAPCHS-RJ.



A CEGUEIRA VIRTUAL SOB UM OLHAR PSICANALÍTICO




A CEGUEIRA VIRTUAL SOB UM OLHAR PSICANALÍTICO


A parábola dos cegos de pieter bruegel
“Diz-se a um cego, estás livre, abre-se- lhe a porta que o separava do mundo, vai, estás livre, tornamos a dizer-lhe, e ele não vai, ali ficou parado no meio da rua, ele e os outros, estão assustados, não sabem para onde ir, é que não há comparação entre viver num labirinto racional, como é, por definição, um manicômio, e aventurar-se, sem mão de guia nem trela de cão, no labirinto dementado da cidade, onde a memória para nada servirá, pois apenas será capaz de mostrar a imagem dos lugares e não os caminhos para lá chegar.” (José Saramago).·.
Curiosamente, as doenças oculares (estrabismo, catarata, cegueira, dentre outros) tem ocupado lugar de destaque nas artes. Por que será? José Saramago retrata muito bem essa dita cegueira em seu filme “Ensaio sobre a Cegueira” e o pintor Pieter Bruegel conhecido como “O Velho”, é o responsável pela notável “A Parábola dos Cegos”, na qual visualizamos cegos de mãos dadas, numa fila, tateando com bengalas o caminho a percorrer. O quadro que vemos acima faz referência ao Evangelho de Mateus, 15:14, que diz: “Não se preocupem com eles, são guias cegos. E quando um cego guia o outro, os dois acabam caindo no buraco”.
As novas tecnologias da contemporaneidade nos têm colocado frente à aceleração das mudanças, lançando-nos nas incertezas do futuro, e tentamos frustradamente antecipá-lo como se ao usá-las estivéssemos inseridos no contexto futurístico, na necessidade de nos sentirmos parte desse futuro de fato. A civilização então, fascinada por tais tecnologias, decide mergulhar nos cenários virtuais a procura de novas amizades, aceitação social, aprovação de ideias, num apelo constante de criação de laços com pessoas estranhas, onde não há troca de olhares, mas apenas a palavra escrita, alguns vídeos que não expressam de maneira alguma a subjetividade do ser humano, deixando de lado “o falar” de seus problemas, “o refletir”, e “o explorar ideias”. Fala-se sim, bem é verdade, em forma da catarse (desabafo desenfreado), onde o único retorno são lamentações de mesmo cunho, sem conteúdos que venham a dirimir quaisquer dúvidas ou auxiliar esses indivíduos nas suas fracassadas tentativas de terapia coletiva. Faz-se valer a tela acima de Pieter Bruegel e a passagem bíblica de Mateus, 15:14, que diz: …E quando um cego guia o outro, os dois acabam caindo no buraco”.
O homem contemporâneo enveredou-se de tal forma nesse labirinto dito como “racional”, que mal se dá conta de sua cegueira psíquica entrando num frenesi de histeria coletiva onde um fala “mata” e o outro diz “esfola”, o outro diz “coitadinho” e o outro em contra partida concorda sem ao menos conhecer o contexto como um todo e apenas parte dele. Nunca se soube tanto da vida do outro como hoje. Há uma necessidade latente em se comentar da vida alheia, julgar e condenar. O que se come, o que se faz a cada hora do dia; os temas mais complexos (como morte e doenças), aos mais corriqueiros (como o que se comeu hoje), são lançados nas redes sociais tais como números numa lista telefônica.
Não tenho aqui a pretensão de condenar o uso das redes sociais, de forma alguma, mas que a façamos de forma racional e equilibrada e não como cegos numa cegueira coletiva aonde uns conduzem os outros sem nenhum norte. Façamos então bom uso das novas tecnologias, publicando assuntos relevantes e inteligentes. Que possamos sim dar aos nossos amigos notícias importantes como a doença de um ente querido ou até mesmo de um falecimento, pois afinal de contas as redes sociais facilitam a velocidade das informações e para tal propósito ela se faz extremamente válida. Que possamos sim compartilhar com nossos amigos nossas alegrias, mas com nossos amigos e de forma saudável sem expor nossa intimidade em excesso. O que também há de se tomar cuidado são as pessoas adicionadas ou solicitações de amizade a quem não temos sequer uma referência. Tenho visto jovens se expondo com poses sensuais e textos descompromissados sem quaisquer valores morais (e isso não se trata de falso moralismo nem preconceito). Cabe aos responsáveis orientá-los no sentido do perigo que possam estar incorrendo e desnecessariamente. Um apelo exagerado à vulgaridade, a falta de qualidade de assuntos, uma banalidade preocupante, um desapego àquilo que possa vir a somar, um desinteresse à cultura.
Denise Maurano (professora da UFJF, psicanalista, Dra. Em letras e Dra. em Filosofia pela Universidade de Paris XII, na França) autora do livro “Para Que Serve a Psicanálise” sabiamente diz… “Esse apelo a se ligar aos outros participa obviamente da história da humanidade, mas o que chamo atenção aqui é para o fato de, na contemporaneidade, termos inflacionado essa estratégia. Assim, as pessoas recorrem mais facilmente a alguém ao alcance da mão, ou ao alcance da linha telefônica, do que a um templo religioso para se amparar. Da mesma forma, também não crêem mais nos poderes da racionalidade para encontrarem uma fórmula para melhor viver.” (Denise Maurano).
Dessa forma, reiterando a sábia colocação da autora em questão, concluo meus comentários com a proposta de analisarmos essas exposições de ideias, e que a palavra não volte vazia, mas que venha a acrescentar algo na forma como pensamos comunicação e interação social nos tempos atuais.
Andréa Pinheiro- Psicanalista e Psicopedagoga, Mestranda em Psicanálise, Saúde e Sociedade pela UVA, Graduada em Letras pela UNIG, Tradudora e Intérprete da língua inglesa, Pós-graduada em Teoria Psicanalítica pela UVA, Pós-graduada em Psicopedagogia pela Universidade Estácio de Sá , Professora de Psicanálise do Instituto IBRAPCHS, Diretora e Sócia do Espaço Multidisciplinar Vida Plena. Contatos: (24)99316-8982- Email: andreapinheiroprof@hotmail.com