Psicanalista Mestre e Doutoranda em Psicanálise

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A Arte como ferramenta de trabalho na Psicanálise e na Psicopedagogia



A Arte como ferramenta de trabalho na Psicanálise e na Psicopedagogia
por Andréa Pinheiro

Desenho feito por uma paciente 

A arte pode propiciar ao psicanalista e/ou psicopedagogo detectar possíveis problemas que interfiram não apenas no processo de aprendizagem como também na psicodinâmica dessa criança ou jovem, que formas mais comuns de análise, como a fala e a escrita não consigam identificar. 

O paciente ou aluno que se sente alienado no discurso incapacitante, em entender-se dono de sua própria subjetividade, encontra então na arte uma forma libertadora e expressiva de se comunicar colocando-o diante de si próprio, possibilitando esse sujeito a entrar em sintonia necessária com suas questões de forma a ativar o seu imaginário. Ao ativar o seu imaginário, liberta-se e mostra-se sem sentir-se culpado ou até mesmo envergonhado em falar de seus conflitos. O que antes não podia ser dito, através da fala ou da escrita, toma forma através da arte, tornando possível ao profissional que o acompanha identificar possíveis problemas que o esteja impedindo de caminhar no seu processo de aprendizagem e/ou na sua vida emocional. 

Agrega-se a isso todo o clima de descontração que uma abordagem artística, ou até mesmo o convite para um simples desenho possa propiciar dentro do “setting” ou sala de aula abrindo possibilidades de que aquele sujeito possa falar sobre si.

Um simples desenho, feito por uma criança ou jovem pode nos contar de suas fantasias, seu momento emocional e inclusive pode esclarecer situações familiares que até então estavam guardadas em sigilo absoluto, visto o constrangimento e dor que aquela simples recordação possa lhe acometer. Esses registros podem também nos dar notícias de inúmeras outras questões que a palavra não consiga dizer.

Na psicanálise e na psicopedagogia, o trabalho com linhas, formas, cores e texturas pode propiciar aos alunos e / ou pacientes a capacidade de criar uma simbologia plástica para expressar seus sentimentos e sua visão de mundo. O apoio oferecido pela arte no atendimento psicanalítico e/ou psicopedagógico, segundo Urritigaray, pode possibilitar atividades preventivas tanto no que concerne à aprendizagem como fatores psicoemocionais. O trabalho com  materiais plásticos oferece ao indivíduo a possibilidade  de criação de uma nova forma a partir do original. Em última instância, a arte  seja na escola ou em um consultório permite a ação mental ou a elaboração com intuito de extrair a emoção que se encontra oculta no paciente e/ ou aluno.

Dar voz ao que não pode ser dito ou ao que não se consiga dizer é basicamente o trabalho que um analista ou psicopedagogo promove com seu paciente para fazer emergir ali o sujeito, e parafraseando o psicanalista Jacques Lacan “[...]penso onde não sou, logo sou onde não penso”. A livre expressão da arte abre portas para essas possibilidades.

Por Andréa Pinheiro Bonfante- Psicanalista e Psicopedagoga- Mestre em Psicanálise-Docente do Instituto IBRAPCHS-Diretora do Espaço Vida Plena em Valença-RJ

Atendimentos: (24)99316-8982 whatsapp  (24)2452-4478 
Espaço Vida Plena- Av. Nilo Peçanha, 222-sobre loja 01-sala 101- Reiking Shopping- Valença-RJ
               
Referências bibliográficas
 SANTOS, S. M. P. As artes plásticas na Educação: um breve histórico. In: In: In: In: Educação, Arte e Jogo. Petrópolis: Vozes, 2006. 11-46.
Dissertativas
AVALIAÇÃO DISSERTATIVA DE ARTE_ PSICOPEDAGOGIA


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A ESCOLA, A ESCOLHA.


A ESCOLA, A ESCOLHA.






Passadas as comemorações de final de ano, a vida vai voltando ao normal, as coisas vão entrando nos trilhos e urge a necessidade de encarar o fato de que nossa rotina está batendo em nossa porta.  Contas a pagar, decisões a tomar e escolhas a serem feitas. Uma delas e de total relevância é a escolha da escola de nossos filhos.
Que critérios devem ser adotados para a escolha de uma escola? Afinal de contas a escola não é apenas um lugar onde deixamos nossos filhos uma boa parte do dia para serem transmitidos a eles apenas conhecimentos mas também ensinamentos.
A escola é o lugar mais adequado, depois do seio familiar, para reflexões, formação de consciência social e política, organização de grupos sociais, interação hieráquica, resolução de conflitos de forma inteligente e madura, desenvolvimento de posturas éticas, dentre tantas outras aprendizagens essenciais a nós seres humanos que compartilhamos  viver numa sociedade dinâmica, em constante mudanças e muitas exigências. Precisamos mais do que nunca preparar cidadãos conscientes do seu papel na sociedade, “antenados” na demanda da vida.
Por essa razão é necessário visitar essa escola, questionar sobre suas propostas, pesquisar sobre os profissionais que nela atuam. Esses precisam e devem estar comprometidos com o processo educacional de fato, atentos as necessidades de seu público alvo, o aluno. Se a vida hoje cobra cidadãos “antenados” para as demandas da vida, que busquemos então escolas “antenadas” e profissionais também “antenados” para que o processo se dê por inteiro sem demagogias  mas com objetividade e clareza. A vida atual nos cobra praticidade, não percamos tempo com “decorebas” e posturas ultrapassadas que sobrecarregam os alunos com ensinamentos de pouco ou nenhum conteúdo. É necessário profissionais responsáveis e sobretudo apaixonados pelo que fazem, que divulguem seu trabalho de forma a esclarecer as dúvidas de pessoas leigas que buscam pelos seus serviços. Afinal de contas ser um EDUCADOR no verdadeiro sentido da palavra não é tarefa fácil, pois existe uma enorme diferença em se ter um diploma e ser de fato ” O” educador.
Agregar funcionalidade aos ensinamentos é a palavra de ordem, fazer com que esse aluno saiba contextualizar sua aprendizagem e crie autonomia na sua vida escolar e prática, que seja um visionário por natureza, isso sim é EDUCAR.
Pensemos nisso. Escolha para seu filho “A” escola e não apenas ” Uma” escola.
Por: Andréa Pinheiro Bonfante
Mestranda em Psicanálise, Saúde e Sociedade na UVA, Pós-graduada em Teoria Psicanalítica pela UVA, Pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Universidade Estácio de Sá, Graduada em Letras pela UNIG, Sócia e Diretora Técnica do Espaço Multidisciplinar Vida Plena- Valença –RJ, Colunista do site Portal Valença-RJ, Palestrante de temas Psicanalíticos e Psicopedagógico.
Contatos: (24)9316-8982 whatsapp  e-mail:andreapinheiroprof@hotmail.com
Fale com a profissional - Email:andreapinheiroprof@hotmail.com 

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

ENTENDENDO O QUE É INCLUSÃO: UMA QUESTÃO NECESSÁRIA À COMPREENSÃO DO TEMA




I SIMPÓSIO VALENCIANO SOBRE AUTISMO: 
“UM OLHAR MULTIDISCIPLINAR SOBRE O AUTISMO”  




  
PROFESSORA /  PEDAGOGA  JOANA DARC B. DA SILVA 

ENTENDENDO O QUE É INCLUSÃO: UMA QUESTÃO NECESSÁRIA À COMPREENSÃO DO TEMA 

Para investigar como incluir alunos autistas em classes regulares a partir da perspectiva inclusiva, primeiramente é necessário que se entenda o que é inclusão escolar. Assim, entendemos que ela não se caracteriza pela ação de depositar todos os alunos com necessidades educacionais na classe de ensino regular, que de acordo com Suplino:   
A palavra incluir significa inserir. Estar incluído é “fazer parte de”. Se o aluno não está incluído, “não faz parte de” um determinado grupo. “Tal situação se estabelece a partir de critérios que determinam as características de quem estará apto a fazer parte do grupo seleto”. (2006, p.1). Há muito vem se discutindo, no campo da educação, a inclusão e suas faces e qual a melhor maneira de atingi-la.  Leis e documentos internacionais colocadas em vigor asseguram os direitos das pessoas com deficiência: 
Em 1988, com a Constituição da República , prevê o pleno desenvolvimento dos cidadãos sem preconceito.  
1994, a Declaração de Salamanca, que é um documento sem valor legal, porém importante, passa a influenciar a formulação das políticas públicas da educação inclusiva.   
1996, a Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional (LDB), assegura no art. 59 que os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização específica para atender as necessidades dos alunos.  
  

Apesar dos avanços dos últimos anos, ainda há muito por se fazer e a modificação da sociedade é fator primordial para as pessoas com necessidades especiais buscarem seu desenvolvimento e exercer sua cidadania. Para que a inclusão realmente aconteça, é preciso olhar a educação de outro modo, com reflexões na mentalidade e no modo de vida.  Ter um ambiente favorável à educação inclusiva significa ter uma revolução de ideias e ações que nortearão como a inclusão se dará de modo efetivo. Assim a inclusão trata de abordar dois conceitos: inclusão e integração sendo conceitos que estão interligados, por estarem direcionados a um mesmo objetivo, mas que estão ao mesmo tempo distintos por exigirem práticas específicasSassaki (1997).  De acordo com Pereira (1980), há três formas principais de integração: a integração temporal, quando há uma convivência por mais tempo de forma gradativa do deficiente com seus companheiros ditos ‘‘normais’’. A integração instrucional relaciona-se as condições favoráveis de estímulos e a oportunidades no ambiente de classe regular. A integração social se refere a convivências dos alunos deficientes com seus companheiros sem deficiências dentro do grupo podendo ser analisada em termos de interação, aceitação, proximidades físicas, sendo valores de atitudes e condutas. A partir destas reflexões podemos dizer que enquanto a integração significa a inserção da pessoa deficiente preparada para viver na sociedade, inclusão significa a modificação da sociedade como prática essencial para a pessoa com necessidade especial buscar seu desenvolvimento, exercer sua cidadania, levando cada aluno a desenvolver suas potencialidades; e ainda a prática da inclusão social baseia se em princípios diferentes do convencional: aceitação as diferenças individuais, valorização de cada pessoa, convivências dentro da diversidade humana, sendo aprendizagem por meio da cooperação e interação.  


COMO INCLUIR ALUNOS COM AUTISMO NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO? 

Assumir um caráter inclusivo para escola é assumir-se excludente e que muitas das vezes peca na fragilidade, na aceitação do diferente como diferente, na formação profissional, no respeito à diversidade. Se agora há crianças e adolescentes nas escolas as preocupações se voltam em como mantê-las na escola.  
 Cunha (2012), afirma que para incluir um autista no ensino regular  “ o grande foco na educação escolar deve estar no processo de aprendizagem e não nos resultados, porque, nem sempre, eles virão de maneira rápida e como queremos. É preciso atentar a carga efetiva do aprendente, observando aquilo que possui funcionalidade para ele”. Assim, compreende-se que para o aluno autista os recursos didáticos tradicionais utilizados em sala de aula, podem não fazer nenhum sentido tornando desestimulantes ou até deixando-os agressivos. Neste sentido, as adaptações curriculares e na própria sala de aula como flexibilidade, formação e capacitação do professor, são considerados recursos indispensáveis para que a estada deste aluno no ensino regular assuma um caráter de inclusão e não de exclusão do mesmo..  
Diante de tais colocações, considero que para receber um aluno autista em uma sala de ensino regular o professor precisará como nos remete os autores citados, conhecer as especificidades e o grau de comprometimento deste aluno. Considera-se também que ele deva estar em parceria com a família para que haja cumplicidade e assim o professor possa fazer parte do mundo de seu aluno, conhecer suas predileções, seu tempo e suas limitações. É importante ainda que o professor e sua equipe conheçam os trâmites legais que permeiam o âmbito da educação especial, principalmente no que diz respeito à inclusão do aluno autista. Para que, desse modo, ele tenha segurança em fazer as adaptações necessárias e tornar o aprendizado deste aluno significativo e prazeroso. Ter um aluno autista em sala de aula não é como ter um deficiente físico, com TDH, deficiente intelectual ou com Síndrome de Down. As adaptações precisam ser feitas em todos os casos, porém o autista tem sua peculiaridade. Nesse processo é preciso que haja a aceitação do profissional que vai trabalhar com esse aluno autista. Esse profissional precisa entender que há a necessidade de rotina e muitas vezes há uma resistência a mudanças, tornando o acesso ao aluno muito restrito.  Uma escola que atenda este aluno precisa estar preparada para flexibilidade tanto do currículo, quanto a do profissional que atenda o aluno.  
Assim, para se trabalhar com um aluno autista no ensino regular, é preciso comprometimento, tolerância e estar apto a mudanças. É preciso conhecer as peculiaridades de cada autista para que as estratégias tenham funcionalidade.  Mais necessário ainda é tornar a sala de aula e a escola um ambiente diferente do tradicional. 
 “ Se uma criança não pode aprender da maneira que é ensinada , é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender”. Marion Welchmann 


Referencias : 
CUNHA, Eugênio.Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak Editora,2012. 
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília : Corde, 1994. 
SUPLINO, MaryseINCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS COM AUTISMO. 2006. 8 f. Tese (Doutorado) - Curso de Dotorado, Centro Ann Sullivan do Brasil, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: <http;//files.inclusãoescolar.webnode.com.br/200000010-8d32a8e2d2/inclusão-de-alunos-com-autismo.pdf>.  
https://www.google.com.br/search?q=autismo+inclusão&source