Psicanalista Mestre e Doutoranda em Psicanálise

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

AS JOGADAS DA VIRADA DO ANO




As jogadas da virada do ano







Lacrou. O ano de 2018 chega nos últimos minutos da prorrogação, quase decisão por pênaltis, e nessa correria de tentar recuperar o placar, os jogadores da vida comentem faltas, bola fora , tiro de meta, tentativas de gols mal sucedidas, e se atropelam, se esbarram, derrubam os que tentam lhe evitar o ponto que precisa ser marcado. Por que será que deixamos para resolver ou decidir nos últimos momentos do ano, aquilo que já deveria ter sido feito desde o início? Por que procrastinamos nossas decisões até chegar ao ponto da virada do ano para fazermos dos planos antigos novos planos para o ano seguinte, adiando-os? E nessa virada de data e festas nos vemos imersos numa correria alucinante de eventos e confraternizações com pessoas que durante todo o ano muitas das vezes nem ao menos demos um “bom dia” simpático, um aperto de mão, um abraço. Nos enchemos de dívidas comprando aquilo que quase sempre nossos orçamentos não permitem, nos preocupamos em comprar presentes caros e nos endividamos, comemos e bebemos além da conta e ficamos depois desesperados com os boletos que chegam e com a balança que não mente o peso dos excessos. E então entramos num novo ciclo, ano novo, velhos hábitos e promessas. Precisamos rever o que verdadeiramente estamos fazendo conosco, precisamos nos ouvir, sustentar nossos desejos e bancar ao longo de todo o ano aquilo que verdadeiramente almejamos, sem procrastinação, discursos recorrentes, e o bendito “mais do mesmo”, numa espiral que não nos leva a lugar nenhum, só adia para  a próxima data aquilo que já devia ter sido enfrentado, e acaba virando um sintoma.
Mas, se diferente dos anos anteriores, você dessa vez se sente incomodado e percebe que há algo pra mudar e você não apenas quer, mas de verdade “deseja”, recomece o jogo investido na partida, garantindo as conquistas desde os primeiros momentos do primeiro tempo, sem enrolações mas sim promovendo estratégias, dribles e boas jogadas. Se no final o resultado não for favorável, tudo bem, ao menos você não irá se queixar da jogada que poderia ter sido feita e não foi. Sempre dá tempo de mudar o placar, sem lacrar, porque quem lacra não lucra nem muda, e a mudança é essencial. Parafraseando a frase de uma grande escritora ...”A vida não é para amadores, é para profissionais”. Profissionalize-se!

Andréa Pinheiro-
Psicanalista/ Psicopedagoga
Mestranda em Psicanálise Saúde e Sociedade
(24)99316-8982 whatsapp
andreapinheiroprof@hotmail.com

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O ORGASMO “DA MULHER”




O ORGASMO “DA MULHER”





As mulheres, desde sempre foram reprimidas com suas questões sexuais. Frases como: “Sexo é coisa de homem.”, “Menina de família não se dá ao desfrute.”, “Sexo é pecado.”, A mulher deve guardar seu corpo.”, “Tira a mão daí menina...”, “Mulher pra casar é mulher de família.”, e muitas outras de cunho repressor e hipócrita, são muito mais comuns na história da vida de muitas de nós do que se possa imaginar. E por incrível que pareça, por mais que tenhamos evoluído na luta feminina, em pleno século XXI, esse ainda é um discurso recorrente em muitas rodas de conversa, instituições, famílias conservadoras e em diversos outros lugares.
O resultado dessa repressão são mulheres extremamente infelizes em seus relacionamentos porque não sabem sequer o que seja um orgasmo. Dão prazer aos seus parceiros mas não se dão prazer. Mulheres que não conhecem seus corpos, que nunca se masturbaram, que nunca tiveram coragem de dizer para esse outro com quem ela se deita, que gostaria de gozar também.
Preconceito velado? Vergonha? Hipocrisia? Falta de informação? O que será que ainda impede as mulheres de se apropriarem de suas vidas, de seus corpos, de seus desejos? A frase que mais tenho ouvido nas redes sociais atualmente tem sido “Empodere-se mulher!” O que exatamente quer dizer esse jargão? Sim, por que me perdoem quem o usa com frequência, mas o que passa a ser usado repetidamente e muitas das vezes sem se dar sentido ao termo passa sim a dizer mais do mesmo. E o que menos precisamos, são de discursos viciados, precisamos mesmo é entender o que é ser uma mulher.
O renomado e famoso Psicanalista francês Jacques Lacan já dizia “A mulher não existe” Calma! Não é o que parece ser a princípio. O que esse reconhecido francês quis dizer com essa colocação tão provocativa? Sua colocação foge completamente do senso comum e nos convoca a uma reflexão. Lacan realça a complexidade feminina, coisa que Freud de certa forma desistiu de entender e deixou para os outros se aprofundarem no assunto. Lacan retoma a reflexão e questiona: “O que quer uma mulher?” Você mulher conseguiria responder de forma sucinta e resumida essa emblemática pergunta? Possivelmente não, e como já havia dito em artigo anterior sobre a mulher, é difícil responder justamente porque toda mulher se inventa, reinventa, e até porque essa coisa de não existir, como disse Jacques Lacan, nos dá autoridade e propriedade de ser por aí ao nosso modo, de um jeito único. E se paramos para refletir, muitas coisas existem por aí e não SÃO absolutamente nada, só existem, paradas, alienadas, assujeitadas.
As mulheres se reinventam a todo momento,  se utilizam de artifícios diversos para serem o que quiserem, não seguem rótulos, nem protocolos, são desmedidas, ousadas, questionadoras, revolucionárias desde sempre, e podem muitas das vezes não terem ao menos se dado conta de sua força, capacidade de inovação e transformação. Não percebem a fênix que carregam em si, capazes de renascerem das cinzas.
E detentoras de tantas especificidades, singularidades e ao mesmo tempo pluralidades, o que falta a essa mulher alcançar seu orgasmo, sozinha ou acompanhada, do jeito que ela quiser? Por que o gozar feminino continua preso num corpo que não se conhece? Não sei lhes responder, lhes convoco a pensar. Até porque cada uma de nós encontrará suas próprias respostas, ou não. Talvez encontrem outras perguntas e reflexões.  Mas o importante de refletirmos sobre isso, é que possamos entender que toda mulher tem o direito de alcançar seu orgasmo, do jeito dela, na hora dela, e se ela assim desejar, pra justamente bancar esse seu desejo. Informe-se, converse com seu parceiro, conheça mais o seu corpo, procure ajuda se for o caso. Muitas dessas questões que inibem esse posicionamento podem ser questões psíquicas mal resolvidas desde a infância, repressões nunca ditas, nunca elaboradas. Descubra o quanto você pode ser dona disso tudo e tomar as rédeas da situação, descubra que  você mulher pode se dar esse direito, esse prazer.

Autora:
Andréa Pinheiro- Psicanalista/ Mestranda em Psicanálise, Saúde e Sociedade.




domingo, 18 de novembro de 2018

A PSICANÁLISE E A PSICOPEDAGOGIA EM PARCERIA



A PSICANÁLISE E A PSICOPEDAGOGIA EM PARCERIA




A psicanálise tem ganhado espaços significativos em outras áreas além do setting terapêutico. A educação é um campo rico em intervenções a partir da teoria psicanalítica e suas diferentes formas de abordagem. Na psicopedagogia, por exemplo, os profissionais têm se apropriado da psicanálise para avanços no seu trabalho. Podemos afirmar que as intervenções psicopedagógicas acontecem diante das dificuldades apresentadas pelo sujeito no que diz respeito à aprendizagem no âmbito cognitivo e na relação afetiva que o sujeito estabelece com o seu processo de aprender. Isso nos aponta para as peculiaridades do sujeito: cada um tem maneira própria de aprender o conteúdo proposto, lança mão de estratégias cognitivas que possui e desenvolve ao mesmo tempo em que se relaciona afetivamente com o objeto a ser apreendido, o sujeito investirá libidinalmente no que faz sentido para ele a partir da sua história; que é sempre particular e única. É possível pensarmos então que embora haja um rigor formal que conduz o profissional de psicopedagogia em relação à teoria que o apoia, não deve haver rigidez na sua atividade com os sujeitos que atende. Os protocolos e regras pré-estabelecidas para intervenções psicopedagógicas tendem ao engessamento do sujeito e assim à impossibilidade de bons resultados no trabalho. A proposta deste trabalho é articular a teoria psicanalítica à prática psicopedagógica a partir de casos que ilustrem esta aposta de parceria entre a psicopedagogia e psicanálise como intervenção.

Palavras- chave: psicanálise, psicopedagogia, sujeito

Autores: BONFANTE, Andréa Pinheiro; SILVA, Joyce de Paula e

Instituição: Corpo Freudiano Escola de Psicanálise- Núcleo Vassouras - Vassouras-RJ